sábado, outubro 03, 2009

O Tao

A propósito da dicotomia entre razão e paixão, lembrei-me da via do meio - o Taoísmo. Trata-se de uma filosofia muito interessante, simples, mas profunda.
Vejamos o que diz o seguinte poema do Tao Te King - o livro básico e fundamental do Taoísmo, escrito por Lao Tse, na primeira metade do Séc. III a.C..


O Tao é como um vaso
que o uso jamais enche.
Assemelha-se a um abismo,
origem de todas as coisas do mundo.

Lima todas as arestas
Desembaraça todas as meadas,
Enfeixa todas as luzes,
Unifica todas as poeiras.

Parece muito profundo,
parece ser eterno.
Filho não sei de quem
deve ser o antepassado dos deuses.





quarta-feira, setembro 30, 2009

Razão e Paixão



Kahlil Gibran deixou-nos, com "O Profeta", um conjunto de textos belíssimos sobre algumas das questões relevantes que, desde sempre, se colocam à humanidade.



Vejamos o que ele diz a propósito da Razão e da Paixão:



"E, então, a sacerdotisa voltou a falar e pediu:
'Fala-nos sobre a Razão e a Paixão.'
E Almustafá retorquiu:
'A vossa alma é amiúde um campo de batalha, onde a razão e o bom senso guerreiam contra a paixão e o apetite.
Ah, pudesse eu apaziguar a vossa alma e converter a discórdia e a rivalidade dos vossos elementos em unidade e melodia!
Mas como o poderia eu fazer, a não ser que fosseis não só apaziguadores mas também amantes de todos os vossos elementos?
A vossa razão e paixão são o leme e as velas da vossa alma navegante.
Se as vossas velas ou leme se partirem, navegareis à deriva, ou então ficareis imóveis no meio do mar.
Afinal, a razão, governando sozinha, é uma força opressiva e a paixão, se não for cuidada, é uma chama que arde até se destruir.
Assim, deixai a vossa alma exaltar a razão até ao cume da paixão, para que possa cantar!
E deixai-a conduzir a vossa paixão com a razão, para que a vossa paixão possa viver através da sua própria ressureição diária, qual Fénix renascida das cinzas.
Gostaria que tratásseis o vosso bom senso e o vosso apetite como dois hóspedes estimados na vossa casa.
Por certo não honraríeis mais um hóspede do que outro, pois aquele que é mais atencioso para um, perde o amor e a fé de ambos.
Entre as colinas, quando vos sentardes na sombra fria dos brancos álamos, desfrutando da paz e da serenidade dos campos e dos prados distantes, deixai o vosso coração dizer em silêncio: 'Deus repousa na razão'.
E quando chegar a tempestade e o vento poderoso arrasar a floresta, e a trovoada e os relâmpagos proclamarem a majestade do céu, deixai o vosso coração proclamar com imponência: 'Deus move-se na paixão'.
E uma vez que sois uma medida na esfera de Deus e uma folha na sua floresta, também vós devereis repousar na razão e mover-vos na paixão."
















terça-feira, setembro 29, 2009

As perguntas e as respostas



Como todos sabemos, não temos sempre respostas para as nossas perguntas!


Rainer Maria Rilke, em "Cartas a um Jovem Poeta" explica que, devemos conviver, longamente, com as nossas perguntas. Pode ser que, em um dia distante, possamos conviver com as respostas. Vejamos o que diz o autor:


"A sua inteligência, surpreendida, ficará talvez para trás; mas a sua consciência mais profunda acordará e compreenderá. É tão novo, tão inexperiente ainda perante as coisas, que desejaria pedir-lhe, o melhor que soubesse, uma grande paciência para tudo o que ainda não estiver resolvido no seu coração. Esforce-se por amar as suas próprias questões como se cada uma delas fosse um quarto fechado, um livro escrito em língua estrangeira. Não procure, por enquanto, respostas que não lhe podem ser dadas, porque não saberia ainda pô-las em prática, vivê-las. E trata-se, precisamente, de viver tudo. De momento, viva apenas as suas interrogações. Talvez que, simplesmente vivendo-as, acabe um dia por penetrar insensivelmente nas respostas."