terça-feira, dezembro 29, 2009

Sonhos da Pastelaria para 2010



Gostaria de entrar em 2010 ao som de "If Everyone Cared" dos Nickelback.
É uma música de sonho, que fala sobre sonhos...

Aqui fica o vídeo, muito bom...


Em toda a música  perpassa o "If", ou seja, o "se". O sonho dos Nickelback depende de um "se" quem sabe inalcançável.



Bem, nada como fazer o pouco que podemos e que está ao nosso alcance.
Quem sabe se já não é muito...
Inevitavelmente lembro-me de Nelly Furtado - Try:

Continuemos a tentar tornar este mundo um lugar melhor, lembremo-nos sempre que ele é a nossa casa.




domingo, dezembro 06, 2009

"What I'm trying to do is say lighten up and let life flow through you, and be on the waves as they go up and down. For me, a great image in mythology is Tristan of Tristan and Isolde. He's out there on a little boat without an oar, without a rudder, on the Irish sea . . . You float your way. You drift. The essence of my approach is to be extravagantly accepting and forgiving of yourself and others. Ride the waves and let life take you where it has good things for you."



Thomas Moore






"This refusal to meet the challenge of emotion, this mauvaise foi of consciousness is fundamental to our “age of anxiety”. It is characteristic of – even instrumental in – what has been called “the contemporary failure of nerve”. We do not face emotion in honesty and live it consciously. Instead emotion hangs a negative background shadowing our age with anxiety and erupting in violence. A “therapy” of this condition depends altogether upon a change in the attitude of consciousness toward emotion – a change for which this work attempts to provide a ground. If there is anything novel in this synthesis of final causes it is this: emotion is always to be valued more highly than the conscious system alone. This tends to run counter to the mainstream of thinking about emotion in the psychology, philosophy and therapy of today.(…)

Behind the difficulty of affirmation lies the healthy, natural tendency to avoid the numinous and demonic, that dark unruly horse of the Phaedrus myth, violent yet harnessed to the chariot in which we sit and we try to manage. What to do about this horse has occupied the great philosophers and religious teachers for thousands of years. Many alternatives have been formulated. The ancients spoke of mediopatheia, apatheia, ataraxis and catharsis. Some church fathers suggested governing, while sectarians have offered on the one hand a radical, disciplined annihilation of the horse, or on the other, an enthusiastic loss of identity in favour of the animal in Dionysian orgy. More recently, methods of “abreaction”, “acting out”, or mechanical and chemical therapy have been put forward. All of these we have refused in favour of the notion of development. But by development we do not mean a progressive climb away from the dark beast so as to escape it. Nor do we mean a dropping of the reins in favour of the whip such as the charioteer does in a scene of such blood and cruelty (Phaedrus, 254), that it serves to indicate how subtly the dark horse can creep under the human skin of the charioteer who believes himself superior. No, this is not the way; but Plato himself gives us another image – the reins. We are reined to the horse, it to us. This is emotional existence, driving and being driven, the true image of homo patiens. Here we come close to the image of the centaur which Benoit proposes as the Zen image for solving emotional states. These passionate mythological monsters, one of whom was the wise instructor of such culture heroes as Achilles, Hercules and Aesculapius, represent a humanization of emotional driving power. Centaurs were said to be able to capture wild bulls which expresses the idea that wilder emotion can be tamed by conscious emotion, or as was said above, “only through emotion can emotion be cured”. And it was a centaur, mythology tells us, who taught mankind something of the arts of music and medicine – as if to say the origins of healing our emotional malaise are to be found in the union of mind with flesh, of wisdom with passion.”






“Emotion”, James Hillman



segunda-feira, novembro 30, 2009

sábado, novembro 21, 2009

Hildegard von Bingen ou a benedicta viriditas











O Euchari In leta via


The sun`s warmth trickled into you

Like the fragrance of balm.

The sun`s warmth trickled into me

Like the fragrance of balm.

All moving things breathe steadily

Sweeping across the ground

The sun`s warmth trickled into you

Like the fragrance of balm.

O Euchari In leta via


Your hands reach out for me

In the heat of our longing.

My hands reach out for you

In the heat of our longing.

All moving things breathe heavily

Sweeping across the ground.

Your hands reach out for me

In the heat of our longing.


O Euchari In leta via


Translation by Alistar Cochrane

 

sábado, outubro 24, 2009

Há vida para além da Mátrika – Uma casa à beira do lago


Quando nos reencontramos, e, pelo meio de conversas e momentos de silêncio, os nossos olhares e vozes se encontram, e, ao de leve, se tocam, podemos, ambos, vislumbrar, que, no fundo do lago, do teu e do meu, se movem todos os medos e fantasmas, brilham o espanto e o deslumbramento, e também, aí, arde o desejo e se revelam todas as loucuras e sonhos.
Nesse momento sei que voltei a casa.







Olhar tudo como se fosse a primeira vez


Há dias de serenidade e dias de cólera, dias simples e dias confusos, dias de sonho e dias de pesadelo. Não podemos evitar os acontecimentos da vida, não podemos deixar de reagir e de sentir. Mas, se aceitarmos o que vem e observarmos o nosso interior, poderemos ver, com clareza, de onde brotam os nossos sentimentos, podemos chegar à raiz – aí, estamos em casa.

Então, poderemos ter aquele olhar que apreende a realidade, tal como ela é, sem necessidade de explicações, um olhar com o coração, que resulta de estarmos em paz com as diferentes matizes do nosso ser.

Esta última parte da frase representa, também, a possibilidade de oferecer uma nova oportunidade a nós e ao outro.

Representa a capacidade de renovação da natureza, a cada Primavera, do amor, após cada período de crise.

A este propósito, não posso deixar de me lembrar, com nostalgia, de uma passagem de uma das minhas músicas de sonho da juventude. Trata-se de Comming Around Again de Carly Simon. Há um momento em que ela afirma “So don’t mind if I fall apart. There´s more room in a broken heart.”

É este tipo de energia, de chama, que permite persistir nos nossos sonhos, que nos permite resistir ao longo do tempo, e superar os obstáculos. Ao nos renovarmos, tal como nos ciclos da natureza, permitimos que a vida e o amor perdurem.

Gostaria de completar estas ideias com mais um pormenor:

Na minha opinião, o primeiro olhar é um olhar completamente silencioso: olhamos o mundo, sentimos claramente com o coração, mas não entramos em explicações, em conceitos, em especulações ou julgamentos.

Este ponto, faz-me lembrar as várias filosofias e cosmogonias indianas que procuram ajudar o ser humano na sua busca. Na minha opinião, uma das escolas de pensamento indiana mais interessante e profunda é o Shaivismo de Caxemira. Dentro desta escola, temos uma linha de pensamento conhecida por Trika. Para esta linha, um dos aspectos que aprisiona o ser humano é a linguagem, i.e., as palavras. Esta linha entende que o ser humano vive aprisionado pelas palavras, pelo seu significado, dado que todo o raciocínio é construído a partir de ideias/ conceitos/ palavras.

De uma forma simbólica, a Trika explica que esta circunstância limitadora é chamada de Mátrika (uma rede intricada de palavras que cria, no ser humano, um véu ilusório que o impede de ver a realidade tal como ela é). A Trika acrescenta que, por detrás de cada letra do alfabeto, existe uma deusa cujo papel é fazer com que o significado de cada som (letra/ palavra) seja percebido de forma distorcida pela mente humana.
A este propósito, não posso deixar de me lembrar daquela frase que afirma que devemos ficar calados se aquilo que tivermos para dizer não for mais belo do que o silêncio…

Bem, tendo isso em conta, e dada a verborreia dos últimos posts, só posso concluir que ainda tenho muito a aprender no que respeita à arte do silêncio…

De facto, falar é fácil… Vamos lá ver, quando desligar o computador, me levantar da secretária e sair por aí, o que guardará a vida para este coração desejoso de poder voltar para casa!


Voltar para casa


Para mim, voltar para casa é encontrar / ou reencontrar a nossa alma. É encontrar ou recuperar toda e qualquer circunstância na qual nos sintamos à vontade e em profunda sintonia connosco próprios e com aquilo que nos rodeia.

Estar em casa é aceitar o nosso corpo, as nossas emoções, os nossos pensamentos, tudo aquilo que somos. Estar em casa é, também, ser acolhido pelas pessoas importantes da nossa vida, sentir que os nossos sentimentos, quer os achemos positivos ou negativos, bons ou maus, são aceites pelo outro e que essa aceitação permite compreendermo-nos melhor.


Conhecermo-nos e sabermos quem somos, aceitar e perceber porque sentimos as coisas de uma determinada maneira, porque reagimos de certa forma, e por aí fora, não é algo que façamos sozinhos. Precisamos dos outros, precisamos que eles reflictam os nossos sorrisos e as nossas lágrimas, os nossos medos e os nossos sonhos.


Estar em casa é estar com tudo isso, com tudo aquilo que gostamos em nós e também com aquilo que não gostamos.


O caminho de volta para casa é o caminho de volta para o nosso interior que, muitas vezes, ao longo da vida, fica esquecido.

Percorrer muitas estradas


Para mim, percorrer muitas estradas, na frase deste autor, espelha a infinitude de possibilidades que a vida nos oferece, na busca dos nossos desejos. Significa, também, que a possibilidade de errar está sempre presente. Entretanto, muitas vezes, são os nossos erros que nos conduzem a resultados surpreendentes – um melhor conhecimento de nós próprios e do outro, uma maior aceitação de tudo o que somos e não somos.

É, pois, o outro que nos revela a nossa própria essência – sabemos quem somos ao nos relacionarmos, ao dialogarmos com a vida, nessa permanente troca.


As pessoas que encontramos, as experiências que vivemos, o porquê de termos feito determinadas escolhas e aonde elas nos trouxeram, tudo isso vai construindo a história da nossa vida, espelhando os nossos sonhos, medos, anseios e desejos.

T.S. Eliot


A frase abaixo, publicada na sexta-feira, dia 16, de T.S. Eliot, é das mais bonitas que conheço.

Fala-nos sobre a possibilidade de busca do outro (e o outro pode ser muita “coisa”: a nossa alma gémea, a realização profissional, o desenvolvimento de qualquer projecto, o nosso Eu mais profundo, o Divino, a felicidade, tudo isto, ou nada disto…), do sair para fora de nós – “percorrer muitas estradas”.

Fala-nos sobre a possibilidade de voltarmos ao nosso centro, à nossa alma, àquele local interior onde estamos plenamente à vontade com tudo aquilo que somos – os nossos defeitos, as nossas qualidades, a nossa história pessoal, sonhos, medos, desejos e loucuras – “ voltar para casa”.

E fala-nos, também, sobre o resultado desse “diálogo” entre o exterior e o interior: a possibilidade de renascermos e de olharmos a vida sem preconceitos, sem ideias formatadas ou pré concebidas, deixando o coração perceber e sentir o que se passa – em nós próprios e ao nosso redor – e permitindo que a nossa percepção da vida, dos outros e de nós próprios se renove. Podemos sempre recomeçar, renovando-nos e olhando para a vida sem expectativas, aceitando o que quer que encontremos, e aplicando toda a energia e magia que envolve o início, o começo – “ olhar tudo como se fosse a primeira vez”.

Vejo este processo como um continuum, como um diálogo que dura uma vida.

sexta-feira, outubro 23, 2009

Música ouvida tão profundamente
Que não é mais ouvida, mas tu és a música
Enquanto ela dura

T.S. Eliot


http://www.youtube.com/watch?v=E_4RLe2z3Po&feature=related

sexta-feira, outubro 16, 2009

Percorrer muitas estradas
voltar para casa
e olhar tudo como se fosse pela primeira vez.

T.S. Eliot




terça-feira, outubro 13, 2009

No difference



Listen, my heart,
as long as you feel any difference
between joy and sorrow,
you will be torn to pieces.

Jalal al-Din Rumi, poeta e mestre sufi







sexta-feira, outubro 09, 2009

As estrelas

O mundo é a minha origem, mas a alma fui buscá-la às estrelas.

Profecia da Grande Sibila


http://www.youtube.com/watch?v=cDMUsifQL5k

Os limites da alma



Seja qual for o número de estradas que se tome, nunca se consegue chegar aos limites da alma, tão profundo é o seu mistério.

Heraclito






sábado, outubro 03, 2009

O Tao

A propósito da dicotomia entre razão e paixão, lembrei-me da via do meio - o Taoísmo. Trata-se de uma filosofia muito interessante, simples, mas profunda.
Vejamos o que diz o seguinte poema do Tao Te King - o livro básico e fundamental do Taoísmo, escrito por Lao Tse, na primeira metade do Séc. III a.C..


O Tao é como um vaso
que o uso jamais enche.
Assemelha-se a um abismo,
origem de todas as coisas do mundo.

Lima todas as arestas
Desembaraça todas as meadas,
Enfeixa todas as luzes,
Unifica todas as poeiras.

Parece muito profundo,
parece ser eterno.
Filho não sei de quem
deve ser o antepassado dos deuses.





quarta-feira, setembro 30, 2009

Razão e Paixão



Kahlil Gibran deixou-nos, com "O Profeta", um conjunto de textos belíssimos sobre algumas das questões relevantes que, desde sempre, se colocam à humanidade.



Vejamos o que ele diz a propósito da Razão e da Paixão:



"E, então, a sacerdotisa voltou a falar e pediu:
'Fala-nos sobre a Razão e a Paixão.'
E Almustafá retorquiu:
'A vossa alma é amiúde um campo de batalha, onde a razão e o bom senso guerreiam contra a paixão e o apetite.
Ah, pudesse eu apaziguar a vossa alma e converter a discórdia e a rivalidade dos vossos elementos em unidade e melodia!
Mas como o poderia eu fazer, a não ser que fosseis não só apaziguadores mas também amantes de todos os vossos elementos?
A vossa razão e paixão são o leme e as velas da vossa alma navegante.
Se as vossas velas ou leme se partirem, navegareis à deriva, ou então ficareis imóveis no meio do mar.
Afinal, a razão, governando sozinha, é uma força opressiva e a paixão, se não for cuidada, é uma chama que arde até se destruir.
Assim, deixai a vossa alma exaltar a razão até ao cume da paixão, para que possa cantar!
E deixai-a conduzir a vossa paixão com a razão, para que a vossa paixão possa viver através da sua própria ressureição diária, qual Fénix renascida das cinzas.
Gostaria que tratásseis o vosso bom senso e o vosso apetite como dois hóspedes estimados na vossa casa.
Por certo não honraríeis mais um hóspede do que outro, pois aquele que é mais atencioso para um, perde o amor e a fé de ambos.
Entre as colinas, quando vos sentardes na sombra fria dos brancos álamos, desfrutando da paz e da serenidade dos campos e dos prados distantes, deixai o vosso coração dizer em silêncio: 'Deus repousa na razão'.
E quando chegar a tempestade e o vento poderoso arrasar a floresta, e a trovoada e os relâmpagos proclamarem a majestade do céu, deixai o vosso coração proclamar com imponência: 'Deus move-se na paixão'.
E uma vez que sois uma medida na esfera de Deus e uma folha na sua floresta, também vós devereis repousar na razão e mover-vos na paixão."
















terça-feira, setembro 29, 2009

As perguntas e as respostas



Como todos sabemos, não temos sempre respostas para as nossas perguntas!


Rainer Maria Rilke, em "Cartas a um Jovem Poeta" explica que, devemos conviver, longamente, com as nossas perguntas. Pode ser que, em um dia distante, possamos conviver com as respostas. Vejamos o que diz o autor:


"A sua inteligência, surpreendida, ficará talvez para trás; mas a sua consciência mais profunda acordará e compreenderá. É tão novo, tão inexperiente ainda perante as coisas, que desejaria pedir-lhe, o melhor que soubesse, uma grande paciência para tudo o que ainda não estiver resolvido no seu coração. Esforce-se por amar as suas próprias questões como se cada uma delas fosse um quarto fechado, um livro escrito em língua estrangeira. Não procure, por enquanto, respostas que não lhe podem ser dadas, porque não saberia ainda pô-las em prática, vivê-las. E trata-se, precisamente, de viver tudo. De momento, viva apenas as suas interrogações. Talvez que, simplesmente vivendo-as, acabe um dia por penetrar insensivelmente nas respostas."



segunda-feira, setembro 21, 2009

Fulcral


"Alguns dizem que o que há de mais belo
na sombria Terra é uma cavalaria,
uma infantaria ou barcos.
Mas eu digo que é aquilo que tu desejas."

Safo

No reino do coração



Neste reino não há regras, não há livro de instruções...

A imaginação toma as rédeas desse corcel e nós mergulhamos na vertigem daquele olhar...
Tanto para dizer, tão limitadas as palavras...


Há quem o saiba tão bem:



Mafalda Veiga: Por te Rever




Quisera roubar-te essas palavras e morrer


Trazer-te assim até ao fim do que eu puder


E começar um dia mais eternamente


Por te rever, só


Pudesse eu guardar-te nos sentidos e na voz


E descobrir o que será de nós


E demorar um dia mais eternamente


Por te rever, só


Quisera a ternura, calmaria azul do mar


O riso o amor o gosto a sal o sol do olhar


E um lugar pra me espraiar eternamente


Por te rever, só


Pudesse eu ser tempo a respirar no teu abraço


Adormecer e abandonar-me de cansaço


Quisera assim perder-me em mim eternamente


Por te rever, só






















Fica aqui o link para esta música da Mafalda.


O video espelha o amor e o erotismo femininos.

Aparece, também, uma pastelaria. Lindo...


http://vimeo.com/8949146

domingo, setembro 20, 2009

Cavalo Selvagem

Rabi'ah Bent Ka'b, poeta sufi, explica-nos, de forma sublime, o que acontece aos distraídos:


O Cavalo Selvagem


Novamente preso
acorrentado pelo
seu amor
toda a luta
para escapar
vã.
Amor
um oceano com praias
invisíveis,
sem qualquer praia.
Se fordes
sensatos
jamais nadareis nele.
Para alcançar
o fim
do amor
terás de
sofrer muitos dissabores
e considerar isso bom,
toma veneno
e considera-o doce.
Agi
como um
cavalo selvagem
sem saber:
lutar
aperreia
o laço.


http://www.youtube.com/watch?v=drahIYigvFI

Crepes recheados com distracção


"Lembras-te de quando te ensinava a fazer crepes? Quando os atiras ao ar, dizia-te, tens de pensar em tudo menos na necessidade de eles cairem direitos na frigideira. Se te concentras no voo, podes ter a certeza que caem enrolados, ou que se esborracham em cima do fogão. É ridículo, mas é justamente a distracção que conduz ao centro das coisas, ao seu coração."

Susanna Tamaro - " Vai onde te leva o Coração" - Editorial Presença

quarta-feira, setembro 02, 2009

Interdependência

















Saint-Exupéry - O Último Voo
Hugo Pratt
Meriberica/ Liber Editores

Este é o quadrado de BD mais tranquilo que conheço e que, para mim, representa uma profunda ideia de interdependência e serenidade.

A ideia de que, no fim, tudo está correcto, de que há um lugar no Universo para cada um de nós.


Inevitavelmente, lembro-me de um pequeno texto escrito por Shankar, no album "Song for Everyone":


It's all the same in the end anyway
   It's all in there
   It's up to you to look for it
Don't ask - just be
   Let it be - whatever be
It's all the same in the end anyway


Relacionada com este tema, poderia sugerir uma música deste album, mas a que assalta a minha memória é uma belissíma composição de Hans Zimmer - A Small Measure of Peace - da banda sonora de O Último Samurai:



http://www.youtube.com/watch?v=GWm8-jlddaw

Boa viagem...

quinta-feira, agosto 27, 2009

Toda a Terra


Agrada-me a ideia de que comunicamos com toda a Terra, ao tomarmos um simples pequeno-almoço.
Na verdade, estamos sempre a comunicar com o mundo - não somos seres isolados e a realidade é um intricado, uma rede, um continuum de ligações.
Este tema recorda-me uma ideia de Thich Nhat Hanh, monge budista - a ideia que podemos encontrar todo o mundo numa simples folha de papel.
Vejamos, então: para que a folha de papel exista, precisamos de árvores. Estas, por sua vez, precisam de sol, nutrientes, ar e água. Depois, não nos podemos esquecer do lenhador que abateu a árvore, da família do lenhador e das refeições que ele toma para que tenha energia para o seu trabalho. E assim por diante: precisamos do transportador, da fábrica de papel e dos seus operários, da papelaria que vende blocos de papel ... 
Este exemplo demonstra que a realidade e a vida baseiam-se na interdependência.



quarta-feira, agosto 26, 2009

Presente matinal


"Se reencontrássemos Cisneros, seguiríamos viagem, depois de nos abastecermos de combustível, e aterraríamos em Casablanca, no fresco da madrugada. Missão cumprida! Néri e eu desceríamos à cidade. É possível encontrar pequenos botequins já abertos de madrugada. Néri e eu sentar-nos-íamos à mesa, em plena segurança, tendo à nossa frente croissants quentes e café com leite. Néri e eu receberíamos este presente matinal da vida. (...). Voltava-me a alegria de viver com esta primeira golada perfumada e quente, com esta mistura de café e de trigo, através da qual comunicamos com as pastagens tranquilas, as plantações exóticas e as searas, através da qual comunicamos com toda a Terra."

Terra dos Homens
Saint - Exupéry
Edições Europa-América